Tânia Toko

por Sherif Awad

Tânia Toko

-Nasci e me criei nas palafitas, numa península, que fica em Salvador Bahia, cidade baixa, filha de Daniel e Maria, duas pessoas lindas e que me deram a régua e compasso na minha formação de garota pobre de periferia, desde pequena, então, comecei a me interessar pelas mazelas sociais da minha comunidade, me levando a trabalhar pelo social e pela cultura do lugar, isso me levou a fazer meu primeiro curso de teatro em 1989, com 18 anos na Escola de Teatro da UFBA.

-No Cinema Charles Chaplin, o filme O Morro dos Ventos Uivantes, me encantou, me tomou, as novelas Cavalo de Aço e Irmãos Coragem, ambas de Janete Clair, eu só tinha dois anos quando assisti essas novelas, no teatro Fernanda Montenegro, qual, tive o prazer de participar de um Curso que ela deu aqui no Teatro Castro Alves no início da minha carreira, em relação à dança sempre fiz aulas de moderno e afro, o balé do teatro Castro Alves e o balé da Débora Colker sempre foi referência em dança para mim.

-Sempre estudei muito, sempre que me interesso por assunto vou logo pesquisar, estudar, etc,,,e assim não foi diferente com o teatro, eu fiz muitos cursos importantes com nomes na área, fiz faculdade, e estudarei até morrer, pois a nossa arte da interpretação requer estudo, conhecimento...esse investimento que faço na minha carreira e em mim eu acho fundamental para o meu amadurecimento enquanto atriz.

-Acho que é importante para qualquer artista o reconhecimento, a projeção, uns buscam mais isso, outro menos, etc...para mim seria sim, muito satisfatório estrelar uma obra em qualquer lugar do mundo, acho importante sim.

-Todos os desafios possíveis ainda, aja visto que a atual sociedade ainda se encontra na esfera machista, ou seja, para uma atriz que é negra, nordestina, ativista social, professora, não é nada fácil se manter no mercado, pela concorrência também, porém, acho que estou indo bem na minha trajetória, se pensarmos de onde vim.

-Atualmente no Brasil os artistas estão passando por um momento extremamente delicado, pois, as condições de trabalho são péssimas, os governantes não dão o valor devido a arte, como se essa fosse algo inferior, que não fosse importante para a sociedade, quando sabemos que é, e muito, o que seria desse isolamento social sem arte! A arte humaniza e aproxima as pessoas, eleva a alma, porém, nem todos pensam assim ...não fazemos entretenimento, fazemos arte.

-Como estamos representados a séculos no imaginário social não temos muitas opções de personagens e logo, poucas oportunidades de trabalho...pois ser negro nos limita na área, os personagens são muito marcados no estereótipo da forma que nos veem, de acordo como sempre fomos mostrados, eu particularmente, qualquer personagem que chegue em minhas mãos e mesmo sendo dentro desses parâmetros, eu sempre serei inteira e darei o melhor de mim, acredito que por isso, todos os personagens que faço são marcantes, o bom ator, atua.

-Em 2019 trabalhei como atriz em dois longas metragens: RECEBA, de Rodrigo Luna e Leu Perazzo, e AS VERDADES, de Eduardo Belmonte,,,Esse ano protagonizei um curta metragem MERE, LA MERE, de Dinho Negryne, todos ainda vão estrear,,,Para 2021 já tenho fechado um Longa Metragem e Uma Série....