Deborah Finocchiaro

- de Sherif Awad

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Eu sou atriz brasileira Deborah Finocchiaro

Deborah Finocchiaro

-A arte entrou na minha vida por meio da música, tive a sorte de ter duas irmãs cantoras, compositoras e instrumentistas - a mais velha, Lorice Maria Finocchiaro, a Lory F., roqueira e baixista que compôs mais de 50 músicas e estava em meio à produção do seu CD, Lory F. Band, quando morreu em 1993 e Laura Finocchiaro, com uma carreira impressionante que contabiliza mais de 500 composições e mais de oito discos gravados – e uma mãe, Cleria Finocchiaro, muito habilidosa em todas as artes manuais e pintora. Mas a  música, os sons, foram os responsáveis por este despertar. Desde pequena, com cinco ou seis anos de idade  eu  gostava de ouvir  música, historinhas, a voz da mãe...  lembro que eu botava as caixas de som uma de cada lado, deitava no tapete e começava a descobrir as maravilhas do estéreo, os diferentes instrumentos musicais, dinâmicas, silêncios e sons. 

-Durante a infância amava os disquinhos coloridos, a história da baratinha, o Soldadinho de Chumbo, o Macaco e a Velha... Até hoje lembro das canções. E ouvia direto os discos da minha irmã Lory: Emerson, Lake &Palmer, Peter Frampton, Suzy Quatro, Genesis, Yes, Rita Lee e Tutti Frutti, Rick Wakeman, Pink Floyd, Led Zeppelin... Ah, e tinha o disco Chico Canta Calabar, de Chico Buarque, de 1973. Sabia todas de cor. Mesmo ignorando o contexto político da época, a década final dos anos de chumbo no Brasil, sempre repudiei a injustiça e a desigualdade, tinha o gosto musical permeado por discos e canções rebeldes ou de protesto. As referências não eram só musicais. Outra coisa que eu amava eram os desenhos animados na TV. Eu assistia a Gasparzinho - o Fantasminha Camarada, Brasinhas no Espaço, Shazam (quando os anéis se juntam,forma-se a palavra Shazam), das séries Túnel do Tempo, Perdidos no Espaço... Durante a adolescência comecei a conhecer a MPB (Música Popular Brasileira) mais profundamente e isso marcou a minha história, de Maria Bethania a Secos e Molhados, sabia tocar no violão a maior parte da canções de Caetano Veloso e assim me expressava, tocando e cantando em turma, em festas, na rua... fiz parte de algumas bandas cantando e tocando violão. Tentei estudar música (queria aprender a tocar violino) mas nunca me dediquei, mas foi por conta dela, da música, que o teatro entrou na minha vida: ao mostrar uma canção que havia tirado no violão “Três Meninas do Brasil” de Morais Moreira para uma amiga, ela me disse que eu deveria fazer teatro! Mas teatro para mim era uma realidade muito distante, só havia assistido a uma peça de teatro em toda minha vida, isso aos dezoito anos de idade! E assim foi, e assim é! Outras referências foram a música clássica, as artes plásticas e a natureza, sempre a mais bendita inspiração da vida, da arte...   E o cinema... tive a sorte de morar encima de um cinema durante a adolescência e assisti tanta coisa, jamais esquecerei de Papillon, com Dustin Hoffman e Julia and Julia de 1987.

-Acredito no talento, na habilidade e a partir daí no aprimoramento do nosso instrumento de trabalho através de técnicas diversas, estudos e diferentes treinamentos. Para um ator é fundamental dominar seu corpo, sua voz, o seu aparelho e mais que tudo, o aprofundamento sobre si, o conhecimento da alma humana. A disciplina é nossa grande aliada e saliento a importância da saúde física, mental e espiritual. A clareza e discernimento, o exercício da convivência norteada pelo respeito.  Busco e estimulo os colegas, parceiros e aos alunos quando ministro oficinas, a conscientização das nossas características e potencialidades para avançarmos na exploração das inúmeras possibilidades de comunicação através do nosso gestual, da nossa fala, do nosso carisma, da nossa liberdade pessoal. Parto de algumas premissas apontando novas perspectivas e outros olhares sobre o nosso cotidiano emocional, pessoal e profissional: Como não me levar tão a sério e não ter medo do ridículo?; O bom humor como elemento fundamental para saúde e relacionamentos; Atenção plena - presença; O prazer do ato criativo; Valorização da experiência pessoal como oportunidade de troca, cooperação e evolução.

Outra questão muito relevante por ser uma artista independente em um país como o Brasil é:  “tomar as rédeas de seu próprio trabalho”, a questão do artista produtor. 

E finalizo essa questão ressaltando a importância das relações - com as equipes, colegas, fornecedores, contratantes, espectadores e todos que circulam em nosso entorno - baseadas no respeito, clareza, honestidade, escuta e bom humor, visando o equilíbrio e a saúde no exercício do acúmulo de funções: atuar, criar, produzir e manter.

-Sou muito grata por todas as minhas conquistas e por me sustentar financeiramente do meu ofício, dos meus ofícios dentro da arte. Sou multiartista, estreei no teatro em 1985, me formei como Bacharel em Interpretação Teatral no DAD / UFRGS (1992), participei de centenas de trabalhos como atriz no teatro, cinema e televisão. Sou também diretora, locutora, produtora, apresentadora, roteirista e ministrante. Ao longo da minha carreira tive vários reconhecimentos e plateias lotadas e recebi muitos prêmios, ao todo 33, entre eles 9 de Melhor Espetáculo, 18 de Melhor Atriz, 1 de Melhor Direção, 1 de Melhor Texto Adaptado, 1 de Melhor Roteiro e 3 como Melhor Artista de Teatro. Mas é claro que o estrelato mundial seria ou será incrível, tudo o que quero é falar para o maior número de pessoas possível, de todas as raças , todas as cores, todos os gêneros, pois tenho plena convicção na arte como caminho de questionamentos e transformações e essa é a minha contribuição nesse plano de existência. 

-Sobre os desafios de gênero: Não diretamente, mas tenho plena consciência do legado patriarcal - tão naturalizado em nosso cotidiano -  que permeia a grande maioria das relações, tanto pessoais quanto profissionais, e no campo das artes não é diferente. Temos muito ainda que avançar, muito o que curar, transformar, mas acredito estamos no caminho, que existem muitas mulheres incríveis (e homens também), que se esforçam e lutam por essas questões tão fundamentais: a igualdade de direitos em todas as instâncias: de gênero, raça, credos... 

-O Brasil está em pleno caos, no momento temos como presidente um reacionário, retrógrado, miliciano, preconceituoso, homofóbico, entre outros, e totalmente contra as artes e os artistas, é claro (os artistas sempre foram e serão uma ameaça para o sistema). Muitas conquistas foram perdidas, entre editais, leis de fomento, incentivos. O Ministério da Cultura foi extinto: “Em 2 de janeiro de 2019, ao ser eleito presidente, Jair Bolsonaro anunciou a extinção do Ministério da Cultura (criado em 1985) sendo suas atribuições incorporadas ao recém-criado Ministério da Cidadania...”,  “... em novembro de 2019 Bolsonaro transfere Secretaria de Cultura para Ministério do Turismo...”, e por aí vai... uma vergonha, um retrocesso, uma tristeza! 

No ano passado, por grande esforço e união de artistas e alguns políticos, aprovaram a Lei Aldir Blanc que viabilizou, através de editais, muitos projetos artísticos que beneficiaram centenas de fazedores da cultura. Porém não foi e não é o suficiente, pois inúmeros artistas estão em situação limite, sem dinheiro para pagar um aluguel, e aqui falo de toda a cadeia produtiva, artistas, produtores e técnicos.  No momento se buscam auxílios emergenciais e muitas pessoas estão sobrevivendo através de doações e cestas básicas vindas de diferentes instituições e da iniciativa privada. Também se está buscando a aprovação da Lei Paulo Gustavo, “criada como apoio emergencial aos agentes culturais afetados pela pandemia, o Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 73/2021, também conhecida como Lei Paulo Gustavo, propõe o investimento de R$ 4,4 bilhões para o setor da cultura até o final de 2022...”.

Ao mesmo tempo falamos de um país continental, multicultural, riquíssimo em suas mil manifestações, cores e bandeiras. Um país que exporta sua arte para o mundo em diferentes linguagens: música, literatura, artes visuais, teatro, cinema, dança... Nosso país é uma explosão de criatividade e produtos culturais, e por ter sido beneficiado tardiamente por incentivos governamentais (agora dizimados),  a maioria dos artistas aprenderam a “fazer do limão uma limonada”, a “tirar leite de pedra” como se diz por aqui, ou seja, tirar do mínimo o máximo, o que faz você ser constantemente desafiado a ser o mais criativo o possível para concretizar as suas obras, captar recursos e seguir. 

Na pandemia isso tem sido um ato quase heroico, pois os teatros foram os primeiros a fechar e provavelmente serão os últimos a abrir, então ou você se reinventa ou... Eu agradeço a cada dia por ter criatividade suficiente, por ter facilidade de me adaptar às novas linguagens virtuais e por ter constantemente ofertas de trabalho tanto como atriz, como locutora, ministrante, diretora e mestre de cerimônias. E como há muitos anos sou uma artista independente, uma artista produtora acostumada a conduzir minha carreira (quando não tem trabalho a gente inventa), não me faltaram oportunidades durante esse período tão caótico que estamos testemunhando. 

-Para novos projetos, em primeiro lugar agradeço e avalio, tanto artisticamente quanto financeiramente. Por estar constantemente envolvida em muitos projetos, preciso estar atenta à agenda para não me exceder, mas confesso que para mim é bastante difícil.  Tenho bastante facilidade de negociar e procuro valorizar e respeitar meu trabalho, meu ofício. Por viver disso, da arte, muitas vezes as opções e escolhas são decididas pela oferta financeira, porém no fazer teatral, todas, absolutamente todas escolhas e produções da minha Companhia de Solos & Bem Acompanhados partem da crença na arte como forma de contribuir por questões que nos parecem cruciais de serem abordadas.

Agora, TRABALHOS EM REPERTÓRIO ATUAL DA NOSSA COMPANHIA DE SOLOS & BEM ACOMPANHADOS:

Espetáculos teatrais: 

“Pois é Vizinha...”, direção Deborah Finocchiaro (estreia 1993)

Teaser:  https://youtu.be/rPDonyza4sI 

“Sobre Anjos & Grilos - O Universo de Mario Quintana”, direção Deborah Finocchiaro e Jessé Oliveira (estreia 2006) - além do espetáculo contém CD, lançado em 2015 e DVD, lançado em 2017.  

Teaser: 

 

“Caio do Céu”, a partir da obra de Caio Fernando Abreu, direção Luís Artur Nunes (estreia 2017) 

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“Diário Secreto de Uma Secretária Bilingue”, direção de Vinícius Piedade e Deborah Finocchiaro (estreia 2019)

 Teaser:

 

Projetos:

“Histórias de Um Canto - Memórias de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul” (que consiste em um espetáculo solo, um recital, um show musical e um registro da obra em livro/CD - estreia 2008)

Faixa do CD – Chimarrão: https://youtu.be/HG_I1dxZGFw


“Palavra de Bolso - Onde a Literatura ganha Voz” (estreia 2016);


“Sarau Voador - Literatura e Improvisos Transcriados”- projeto itinerante, presencial e virtual, que reúne diferentes manifestações artísticas e  convidados para compartilhar com o público os diversos olhares e leituras sobre um determinado tema, obra ou criador (estreia 2018)

Trailer:  https://youtu.be/SB42sqaLs10

https://www.youtube.com/channel/UCpVswkklukjrGSmuPkuYJgQ

www.instagram.com/sarauvoador/


 Obras literomusicais: 

“A Espessura da Vida” (estreia 2018);


“Leitura às Cegas” (estreia 2018)

Teaser: https://youtu.be/urvM8GVDD94


“Benção Poetinha”, a partir da obra de Vinicius de Morais (2018)

Teaser: https://youtu.be/tCOiNP0aSDc 


“Palavra Balada (estreia 2018)

Teaser: https://youtu.be/Aa5ksYvQViY 


ALGUNS TRABALHOS CRIADOS E EM ANDAMENTO DURANTE A PANDEMIA:

 

Espetáculo audiovisual “Invisíveis - Histórias Para Acordar em Tempos de Pandemia”, direção Deborah Finocchiaro (2020)

https://www.youtube.com/watch?v=e_xt3oAwOIk


Websérie “Confessionário - Relatos de Casa”, direção Deborah Finocchiaro e Luiz Alberto Cassol (2020/2021)

http://www.youtube.com/confessionario

Podcast “Estação Confessionário” (2021)

https://sptfy.com/dv7F e também no Google Podcast e Apple Music

Podcast “Estação Sarau Voador” (2021)

https://open.spotify.com/show/4orqCOhH5JuscrjGbEEyfh 


Sarau Virtual – “Substantivo Feminino - Confinamento Voluntários e Involuntários” (2021)

Trechos:

Intro - https://drive.google.com/file/d/1NwXjyjhgSGxIoOxabQuD2csNZEzlVdEh/view?usp=sharing

Bloco 1 - https://drive.google.com/file/d/1nZx-bgjlGzvONS_7ZAypKtx28exbC4G5/view?usp=sharing

Bloco 2 - https://drive.google.com/file/d/151lxZebdkFg2b11Ca_wS3Jehc4Gg0QBa/view?usp=sharing

Bloco 3 - https://drive.google.com/file/d/1tuppRQOSNnCY40vptvCsOxBka8zf2QjA/view?usp=sharing

  

PROJETOS FUTUROS:

Espetáculo teatral audiovisual (previsão estreia agosto 2021) e presencial (previsão estreia 2022) “Classe Cordial”, direção Jardel Rocha


Espetáculo audiovisual e exposição em cooperação com Portugal - Projeto Iberescena (previsão estreia 15 de outubro de 2021 no Brasil e em Portugal) “Invisíveis - Histórias Para Acordar em Tempos de Pandemia


Websérie “Confessionário - Relatos de Casa” -  novas temporadas (previsão estreia 2021 e 2022)


Espetáculo teatral (previsão estreia 2022) “Lua Vermelha”


Espetáculo teatral (previsão estreia 2022) “A Espessura da Vida” 


Espetáculo teatral (previsão estreia 2022) “Pois é, Maria” 


Acesse os links e saiba mais:

www.youtube.com/user/deborahfinocchiaro

www.instagram.com/deborahfinocchiaro

www.deborahfinocchiaro.com