Roberta Chaves

por Sherif Awad

Roberta Chaves

Roberta Chaves:

Sou nascida no estado de Minas Gerais, criada na cidade de Uberaba. Minha mãe é aposentada e meu pai recepcionista de um hotel, ambos formados em Geografia. Minha irmã é advogada, pouco mais nova que eu. Todos ainda moram em Uberaba, MG. Eu moro, atualmente no RJ. Desde muito nova era apaixonada por interpretar. Nunca pensei em outra profissão. Cresci focada em desenvolver e trabalhar com isso.

— Sobre meus modelos de comportamento: muito complicado responder isso, pois cresci influenciada pela TV da época. Novelas brasileiras, mexicanas, XUXA, Thalia, etc. O primeiro filme que assisti no cinema foi Lua de Cristal. Lembro-me como se fosse hoje. Nunca tive uma imersão profunda na arte, quando criança. No entanto, na adolescência, na busca daquilo que almejava, comecei a estudar e pesquisar mais sobre artistas brasileiros e principalmente sobre o teatro brasileiro. Estudei em uma escola que me deu este know how. Mas, na vida adulta, que tive a oportunidade de ter uma melhor percepção das influências na minha carreira: Fernanda Montenegro (impossível não ser influenciada pela história desta mulher); Karine Telles, Viola Davis, e amigas parcerias de trabalho.

— A nossa profissão é extremamente desvalorizada. O próprio meio não se valoriza. No entanto, no decorrer de nossa caminhada, observamos que fazer faculdade, cursos profissionalizantes, correr atrás das diversas especializações existentes, ampliar nossas formas de conhecimentos, estar ao lado das inovações (principalmente no audiovisual) é FUNDAMENTAL. Não dá para parar de estudar, não é algo somente autodidata. Porque nossa arte depende muito do olhar do outro, da percepção do outro. Acredito que, precisamos ter um grande autoconhecimento para ser artista, mas, mais ainda, estudar metodologias totalmente diferentes, autores distintos para que nós mesmos, possamos trilhar e construir nossos caminhos. Estudem, se especializem, sempre. Sempre. Foquem no intelecto.

— Sobre celebridade: Sinto-me privilegiada em trabalhar com o que gosto. Poucos tem essa oportunidade. Mas, claro que, alcançar o estrelado faz parte da trajetória. É IMPORTANTE SIM!

Roberta Chaves

— Sobre os desafios de gênero: existem muito... Desde sempre. Brasil é um país machista, misógino. Há pouco tempo ouvimos relatos de denúncias de abuso sexual em redes de TV por parte de diretores renomados. Isso é muito comum. Infelizmente. No entanto, hoje, com o empoderamento feminino e a nossa garra, as mulheres têm se unido e enfrentado com a cabeça erguida estes desafios. Além disso, a luta da mulher, principalmente na arte, perpassa pela beleza. Muito de nossa profissão está ligada à beleza, o que também, graças a grandes artistas que estão lutando contra isso, vem caindo por terra.

— Meu país, culturalmente falando, é um dos países mais ricos do mundo! No entanto, não estamos nos melhores dos governos. Há muita luta e resistência por parte da cultura que foi bastante prejudicada neste atual governo. No entanto, com a pandemia e a luta constante e incessante da classe artística, as artes têm se renovado e alcançado um patamar mais equilibrado no nosso país. O caminho é longo, mas a resistência da classe é extrema. O que nos faz enfrentar qualquer descaso, por parte do governo, com a cultura.

— Em relação à minha abordagem para novos projetos: primeiro vejo a qualidade do que me é oferecido: É algo que vai fazer a sociedade refletir? Algo que caminha com o que acredito? Quem são meus colegas de trabalho? (pesquiso sobre seus trabalhos e referências).

— Agora: Sou muito grata por tudo que desenvolvi no isolamento social. Tenho peças teatrais que estão para ser lançadas, alguns produtos de audiovisuais que podem acontecer e principalmente, aprendi a trabalhar muito por mim mesma, fomentando a minha empresa e fazendo grandes alianças na área cultural.